Massinha com cogumelos e frutos secos (para bebés e não só)!

     Em dias em que o tempo para cozinhar é escasso, ou seja, quase todos os dias, temos sempre que ter em mente algumas receitas mais rápidas, mas igualmente deliciosas e criativas. Esta surgiu ontem, espontaneamente, e resolvi partilhar com vocês no instagram. Hoje partilho-a em versão escrita para que todos a quem despertou atenção a possam confeccionar em casa.

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     Darei apenas os passos base, pois não gosto muito de seguir à risca receitas estruturadas e com todas as quantidades definidas. Ora bem, comecei por fazer uma cebolada com um fio de azeite. Gosto de por pouco, apenas para caramelizar levemente a cebola. Tempero com um pouco de sal, alho e pimenta. Aos poucos, a Eva, que fez recentemente os dois anos, tem-se habituado a eles, o que nos ajuda a colocar cada vez menos sal na comida (e já pouco púnhamos). Acrescentei também um pouco de caldo de legumes biológico, sem óleo de palma. É um dos nossos critérios para a sua escolha, tentando fugir ao máximo de todo o que é processado e que prejudica os ecossistemas e o ambiente.

     Ora, depois de caramelizada a cebola, acrescentei alguns cogumelos frescos, lavados e laminados. Cá por casa já deixámos de usar as latas, … o desperdício é menor, pois vamos levando para a loja um saco reutilizável para os trazer, e o sabor é bem superior. Com os sucos libertados pelos cogumelos e pela cebola ficou tudo salteado. Acrescentei um pouco de água, apenas para que esta se juntasse a estes sucos e ajudasse o preparado a cozinhar. Acrescentei depois um pouco de cajus e pinhão que tinha por casa. A Eva já come frutos secos há algum tempo, sempre com vigilância, mas para os bebés que não os comem habitualmente, pois muitos médicos apenas os recomendam depois dos 3 anos devido ao perigo de engasgamento, esta é uma forma excelente de lhos apresentarem. Ficam mais “molinhos” e o perigo de serem aspirados é muito menor, pois vão juntamente com outros alimentos.

     No final deste preparado delicioso acrescentei massa que já tinha cozida do dia anterior. Muitas vezes, para economizar recursos e tempo, cozo massa em dobro e faço este tipo de receitas. A massa liga bem com qualquer coisa: legumes, tiras de frango, atum, …

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     O último toque: um iogurte natural e fica tudo ligado e ainda mais suave. Já há algum tempo que este é o substituto para as natas que usamos. Mesmo com as natas vegetais, chegámos à conclusão que, mesmo tendo menos gordura, muitas vezes eram apenas misturas de água e farinhas diversas que davam a consistência ao preparado. Com o iogurte, quase sempre caseiro, o desperdício em termos de embalagens plásticas e ainda menor. E voilá, … assim foi o nosso almoço “fast-gourmet”. Quem vai experimentar?

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O papel do Pai… na amamentação!

     A amamentação é um dos laços que mais une mãe e filhos. Digo isto sem ter o intuito de diminuir as mamãs que o quiseram fazer e não conseguiram (tantas vezes por falta de apoio), as que o fizeram por um curto período de tempo ou mesmo aquelas que optaram por não seguir este caminho. Mas, ainda assim, direi sempre que este é dos atos mais bonitos, de maior dádiva entre a mãe e as suas “crias”! Haverá algo mais natural, mais simples e mais cheio de sentimento?

     Claro, há momento difíceis, em que o cansaço físico nos supera, … em que nos sentimos fracas, impotentes, diminuídas e massacradas… os julgamentos que ouvimos, ora porque não temos leite, ora porque amamentados até tarde, … ora porque não quisemos amamentar, ora porque estamos com o bebé à mama horas a fio e isso é “mau” hábito e mais tarde é que vai ser… Velhos e velhas do Restelo à parte, seguimos em frente seguras da nossa decisão!

     Tudo isto, são já para mim dados adquiridos. E tanto que se fala na amamentação, nas dúvidas, na falta de apoio, na forma como a sociedade encara as mães que tal fazem pelos seus filhos, … mas hoje, o que me guia a escrita é a homenagem àqueles que tantas e tantas vezes estão nos bastidores, os que dão tudo de si para que as mamãs se encham de forças e de coragem: os pais! Quantas mamãs reconhecem o papel crucial e fundamental dos pais na amamentação? Essa é a minha experiência, e só tenho um grande, enorme e gigante obrigada para te dirigir, Carlos. Obrigada! Obrigada, obrigada, obrigada!!! Tantas vezes me dizias que se pudesses trocavas de lugar comigo, quando me vias mais desgastada fisicamente, … quando sabias que eu jamais desistiria, mas quando lias o cansaço nos meus olhos e as poucas forças no meu corpo. Na amamentação,  como em outras vertentes da nossa vida em comum, formámos e formamos a equipa perfeita, ambos amamentámos a Eva, com amor, com carinho, com persistência, com cuidados mútuos! Foi uma imensa união de esforços, desde os primeiros momentos.

     Tão insegura que me senti nas primeiras vezes em que dei de mamar à nossa menina, … tanto medo que tinha de lhe pegar, … e eras tu quem ma punha ao colo. Jamais o esquecerei… a segurança que me mostravas encobria os meus medos! Eu pegava-lhe como se fosse de cristal, de porcelana, … mas o teu sorriso e o teu aconchego foram a minha força. Depois, com o tempo, as coisas foram-se tornando mais simples, e até de pé, sem cadeirão, nem almofada de amamentação, lá estávamos nós, a equipa imparável da “mamona” Eva e dos seus pais babados! Devo-te essa segurança crescente. Devo-te os imensos jantares que fazias enquanto eu passava horas de “mama ao léu”, a tua paciência, o “chega-me o comando”, o “chega-me o telemóvel, a fralda, os chinelos, os discos de amentação”… oh paciência infinita! Tão chata que devo ter sido… mas a absorção naquela missão era total, tu sabes bem… viveste-a comigo!

     Sei que muitas mamãs se devem rever nestas descrições. As mamãs que encontram nos maridos e nos companheiros o parceiro de lutas, neste caminho nem sempre fácil mas sempre recompensador. Agradeçam os papás, … aos que estão sempre lá! Mostrem-lhes o quão são essenciais e vitais em todo este processo! Todos gostam de se sentir valorizados, agradecidos, … não custa nada. Dizer “obrigada” é meio caminho para a felicidade! Obrigada Carlos, foste (és) essencial…todos os dias!

 

Mitos – Amamentação e atraso na fala/ linguagem?

No rescaldo da Semana Mundial do Aleitamento Materno, comemorada de 1 a 7 de Agosto, não podia deixar de vos falar deste tema que, em particular, tanto burburinho levantou desde a passada sexta feira.

Sou CAM (Conselheira em Aleitamento Materno) e, por isso, várias vezes sou chamada a esclarecer algumas mamãs e famílias, muitas das vezes em grupos de redes sociais. Qual não foi o meu espanto quando, na semana passada,uma outra colega CAM me chamou à conversa pois uma mãe lançou a sua dúvida e os seus medos, receios e culpas. A mãe tinha ouvido da boca de uma equipa médica que o atraso na fala e na linguagem do seu filho se devia ao fato de este ter sido amamentado. Fiquei a ferver só de ouvir isto, … de saber o sentimento terrível de culpa desta mãe!!! Tive logo que rebater isto, pois nem mito quase lhe posso chamar. Vindo de uma equipa médica, com conhecimentos científicos, esta é de todo uma informação errada, sem qualquer fundamento científico… totalmente o oposto do que a ciência apoia e justifica. A mãe sentia-se em baixo, culpada pelo seu ato de amor imenso que foi o de amamentar o se filho. Haverá ligação mais sincera, desinteressada e pura que esta? Como pode uma equipa médica o pôr sequer em causa? Como podem levar alguém a sentir-se desta forma? Onde moram a ética profissional e os bons princípios pessoais?

E foi aí que, depois de várias pessoas terem opinado e descansado aquela mãe, resolvi escrever e partilhar este texto com vocês. Não tão rápido quanto queria, pois o fim de semana foi de tempo muito preenchido com outros afazeres, mas faço-o agora!

Sem qualquer tipo de julgamento para as mamãs que não podem amamentar, ou que não o fazem por opção própria, este ato carrega em si a mais pura bondade e altruísmo que se conhece! É dar o próprio corpo a um ser imenso, indefeso, … sedento de amor, carinho, segurança, calor, nutrição… o melhor início de vida, como tantas vezes já aqui defendi.

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A OMS preconiza que os bebés devem ser exclusivamente amamentados até aos 6 meses, devendo este ato prolongar-se, pelo menos, até aos 2 anos de idade, acompanhando a introdução da alimentação complementar (OMS,2001). Por aqui se percebe a sua relevância e o seu valor imenso! Tantos são os estudos que suportam a sua riqueza nutricional, emocional, … que fico incrédula com os mitos que ainda hoje circulam! Então quando são proferidos por profissionais de saúde, … fico louca!!!

Porquê julgar e ridicularizar mães que amamentam bebés que quase já não são de colo? Porquê assumir que quando um bebé já come como um adulto não precisa de tudo o que a amamentação lhe trás de bom? Já senti essas críticas na pele, e também o partilhei com vocês na altura da minha cirurgia de urgência à apendicite…sentimo-nos sem chão, … à beira de um ataque de nervos!

Porque haveria a amamentação de atrasar a fala e o desenvolvimento da linguagem? É das atividades mais completas e enriquecedoras para o desenvolvimento global de um bebé!!! Promove o desenvolvimento muscular e ósseo da face, … tudo o que a envolve! O movimento dos lábios, da língua, das bochechas,  da maxila, da mandíbula, do palato, …(NEIVA et. al, 2003) … tudo a funcionar em harmonia, … todos os músculos a serem estimulados, trabalhados, fortalecidos! E a coordenação que é necessária entre o extrair o leite, comportá-lo na boca e engoli-lo, … sempre com a respiração controlada? Tudo a funcionar em harmonia, num frenesim perfeito e mágico!

Enquanto a língua gera as diferenças de pressão que fazem com que o leite seja expulsado pela mama da mãe está a ser fortalecida, trabalhada, … os seus movimentos são aprimorados e cada vez mais minunciosos, perfeitos! A criança experimenta padrões que mais tarde são muito úteis na articulação de vários sons da fala (os mais evidentes são o /l/, /s/, /z/, /t/ /d/ e /n/). Sons em que a posição da língua, variando em pequena amplitude, conduz a realizações na fala tão diferenciadas e que existem mais tarde na nossa língua, quando surgem as primeiras palavras e enquanto a linguagem progride! É o nosso corpo em adequação e aprendizagem constante! Como negar isso mesmo? Não compreendo! Em que livros de anatomia fizeram estes ditos “profissionais” os seus aprendizados?

Até o próprio crescimento dos dentes é influenciado pela amamentação! Quanto mais estimuladas as estruturas orais, melhor será o posicionamento da mandíbula em relação à maxila para que o surgimento das peças dentárias seja equilibrado e harmonioso (KYOTA, 2000). Para o futuro desenvolvimento da mastigação e da deglutição, a amamentação é mesmo o melhor início!

E a proximidade que uma mãe tem de um bebé amamentado? O contacto visual que se estabelece? O quanto fala com ele? Será que isso não promove a linguagem? A amamentação promove o desenvolvimento cranio-facial da criança e a sua afirmação motora-oral (CARVALHO, 2004), porquê contrapor estes dados? Quais as vantagens para quem defende esta posição? Porquê deixar os pais com o sentimento de culpa?

Tantas e tantas vezes são os profissionais, ainda na maternidade, a introduzir biberão, chupetas, … esses sim, está provado que podem dificultar o desenvolvimento da fala. O esforço que uma criança faz ao mamar num biberão não é o mesmo que quando o faz na mama da mãe! A estimulação das estruturas e músculos faciais é assim bem mais reduzida, em comparação com a da amamentação. Também a chupeta, para estar na cavidade oral, altera em muito a posição normal que a língua deveria estabelecer! E a forma que as arcadas dentárias assumem tantas vezes! Aí sim, há razão para alerta!

Quanto à amamentação: mamãs, sosseguem esses corações! O mito é falso, .. totalmente errado! Quanto mais maminha, mais estimulação! Mais amor próprio e pelo outro se gera! Quanta gratidão, quanto sentimento de missão cumprida! Que a culpa não os ofusque, … nem “profissionais” deste género que, vá se lá saber porque (ou sabendo: €€€€€€) tendem a desincentivar o processo mais natural e primordial da história da humanidade. Coragem mamãs! Maminha é saudável e em nada limita o progresso da fala e da linguagem nos nossos bebés! Um brinde a nós, à nossa garra. Este continuará sempre a ser o meu lema: “somos mães, somos guerreiras”!

 

Sumos e gelados caseiros para os mais pequenos… e para os papás!

O bom tempo e o calor que (finalmente) se fazem sentir trazem o desejo de consumir mais líquidos. Água, sumos naturais, gelados, … tudo são boas ideias, mas quando pensamos na quantidade de açúcar que a maioria das opções comerciais traz consigo é verdadeiramente assustador! Assim, hoje trazemos algumas dicas simples, económicas e 100% saudáveis!

Nas últimas semanas temos partilhado nas páginas de facebook e do instagram do projeto “Joana a Terapeuta, … e a Mãe!” diversas imagens com sugestões caseiras de gelados e de sumos caseiros, e algumas delas vamos hoje deixar aqui mais uma vez, com todos os pormenores e dicas! 🙂

Porque não usar a fruta da época e o que a natureza nos oferece? Por aqui, temos a sorte de as avós “de longe” trazerem framboesas e amoras, frescas ou algumas vezes congeladas. Quaisquer delas são ótimas bases para as nossas delicias! A fruta descongelada ou mesmo fresca pode ser triturada para todos os efeitos: para beber diretamente ou para colocar em pequenas forminhas de gelado e irem ao congelador! Várias seguidores nos perguntam onde as compramos, e sem dúvida que os bazares chineses têm as opções mais em conta! 🙂 Mas em breve teremos novidades por cá, e na página de facebook poderão ganhar um presente muito especial! Fiquem atentos pois teremos um passatempo muito especial!

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Há uns tempos fizemos geladinhos de melancia! Foram um sucesso cá em casa! Uma parte de uma melancia gigante dada por uma grande amiga serviu de base aos nossos fresquinhos. Outra parte foi mesmo comida em pedaços e outra em sumo natural. Apenas melancia triturada e tantas coisas boas! 🙂

De outra vez, a sugestão foi a de gelados de banana e laranja! Aprovadíssimos que foram cá por casa. Apenas duas bananas trituradas e sumo de laranja espremido, tudo misturado, e congelador! 🙂

A dica que demos por último foi a de sumo de amora e framboesa! Toda a fruta triturada, … hum, e que belo sumo! Acrescentei ainda banana e manga que tinha muito maduras e ficou ainda mais delicioso. Um pouco de água para o tornar menos espessso e fez as delícias da pequena e da mamã!

Ainda assim, apenas as framboesas trituradas já dão um belo sumo! Quando há muitas, a minha mãe costuma congelar em pequenos frasquinhos e ao longo do ano vou retirando e temos um verdadeiro shot de frutos vermelhos, poderoso antioxidantes! A pequena lambe os beiços, que ficam bem vermelhinhos! 🙂

E tanto que pode ser feito!! Melão, meloa, … triturados e prontos a beber, ou congelados nas forminhas! E aproveitar kiwis mais maduros… com um toque de mirtilos, mesmo inteiros para que se sinta a fruta!!! E pedaços de morango!!! Venham as ideias, … venha a fruta! Esperam-se experiências deliciosas e de chorar por mais! Nós não costumamos colocar açúcar, pois adoramos sentir o verdadeiro sabor da fruta! 🙂 E vocês, que receitas partilham connosco?

 

 

 

Dia dos avós, … estando longe!

Ontem foi Dia dos Avós, .. era ontem que vos queria escrever, mas um dia mais atarefado não mo permitiu! Ainda assim, renovo os votos de um feliz dia a todos quantos são “pais duas vezes”, pois para isso não precisamos de dias marcados!

Parabéns aos meus avós, … aos que cá estão, aos que já partiram mas jamais serão esquecidos, … aos avós e bisavós da Eva, … a todos os avós e bisavós do mundo!

Este dia retrata em mim um misto de alegria, de dor e de saudade. Alegria pela presença dos que ainda vivem, … alegria pelas memórias dos que já partiram mas tanto encheram o meu coração! Avó Palmira, … ai que saudades do teu sorriso e do aconchego… e tanto, tanto mais! Avô “do Pica”, … mais um ano em que não estás por cá, … o segundo! Quero uma flor, sim, quero, … continuo a querer a a adorá-las! Cada uma que a Eva me dá leva-me a pensar em ti! Avó ‘Delina (bisavó), desculpa as vezes que te desapartei o avental, … só queria que me desses atenção e até o teu raspanete me sabia tão bem! Avo Passarela, … ai a gelatina verde, o “veneno” que te queriam dar, … ainda hoje sorrio para mim quando me lembro!

Mas a saudade faz-se também dos que estão presentes, ainda que longe! Não é fácil viver longe de vocês, avós da Eva, nossos pais, … Não sabemos o que é ter “a avó que vai buscar a pequena, …” ou que “fica com eles enquanto vamos fazer um recado ou temos um imprevisto”! Não, … aqui somos nós, só nós dois e a Eva! Não há imprevistos, não há recados rápidos nem afazeres urgentes! Tudo é levado por nós, … o que faz doer ainda mais com saudade! Não é algo interesseiro, .. é uma saudade desinteressada, … uma saudade que se serenava apenas se pudéssemos ir partilhando mais o dia a dia da pequena com vocês, … sem ser sempre por fotografias, vídeos, … Ai distância, … ai saudade, … ai vida, … oh rotina e dia-a-dia que a tanto obrigas!

Contudo, a dor maior, a mais recente e a que mais estranho é a dos que estão em presença, longe em distância, longe em espírito, … cada vez mais longe, … as ausências escolhidas, … que partida, … que ironia do destino… por esta não esperava… Os avós, que estando longe e assim o escolhem, … até para ti, … feliz Dia dos Avós, se (ainda) nos estiveres e quiseres ler, …

Quando “fugimos”, … para a cama dos filhos!

Por norma, para os mais pequeninos, a cama dos pais é o refúgio perfeito, … para iniciar a noite quando adormecem, … a meio da noite quando têm um pesadelo ou terror noturno, … ao raiar da manhã, … nas manhãs mais preguiçosas de fim de semana… Sim, sempre soube que era isso que se dizia! Por vezes, em pequena, usava a cama dos meus pais para isso mesmo!

Oh, como ficava num misto de alegria quando o meu pai saia em trabalho. Ia ficar uns dias sem o ver, … mas sabia que naquelas noites podia dormir com a minha mãe! Ficava tão feliz pelo aconchego!

Mais recentemente descobri o bom que é partilhar a cama com a Eva. Sempre teve o seu berço no quarto, recentemente desmontado por já estar, por decisão dela própria, a dormir no seu quarto, sozinha. De pequenina dormia no berço e vinha para a nossa cama para mamar. Algumas noites ali ficava algum tempo até que regressava… depois foi ficando e passámos a fazer co-sleeping. E fizemo-lo quase até aos dois anos, como já partilhei com vocês, sem qualquer receio de julgamento. Penso que foi essa mesma segurança que lhe transmitimos que a fez sentir-se forte, crescida e determinada para pedir por ela própria, há cerca de um mês, para ir dormir para o seu quarto, preparado desde a gravidez. E até hoje lá continua, sem qualquer hesitação!

Chegar à nossa cama com ela lá, depois de um serão de trabalho, de preparação de sessões e de tudo para o dia seguinte, sempre foi uma alegria! Agora, com ela a dormir na cama nova, as coisas ganharam uma nova dimensão. Devo confessar que sinto saudades de me deitar e me enroscar a ela, se sentir o seu cheirinho a bebé, de lhe ouvir o respirar sereno…

Agora, adormeço com ela como fazia antes, mas na cama dela. Por vezes basta virar-me para o outro lado que adormecemos coladinhas. Ela coloca o pequeno bracito por cima de mim e sinto ali um teto que me protege e me ampara. O dia a dia tem sido de muitas emoções, … de algumas fraquezas e de muitos cuidados e preocupações. Ali encontro o meu ninho, o meu altar, o meu refúgio… e várias vezes sou eu que volto a fugir, … mas desta vez para a cama da Eva!

Quantas vezes sei que ela adormece rápido, mas ali fico a absorver-lhe cada gota de amor, cada respiração curta e tranquila, … Passo-lhe as mãos pelo cabelo repetidas vezes, acaricio a sua bochecha, … dou-lhe um milhão de beijos e sussurro-lhe ao ouvido o quanto a amo.  Já a vi sorrir por várias vezes quando o faço, mesmo adormecida,… parece que me ouve e me percebe.

Outras vezes, depois de a adormecer, levanto-me e venho trabalhar, .. mas quando as forças escasseiam vou até lá e bastam por vezes cinco minutos para retemperar forças e energias, …. e regresso ao trabalho. Ou quando me levanto cedo, pela manhã, para ultimar as coisas para o dia que se aproxima… quantas vezes a primeira coisa que faço depois de sair da minha cama é ir até ela, … todos os dias é a primeira coisa para dizer a verdade! Vou até lá, … tapo-a com amor, … ajeito-a na almofada, e fico ali a olhá-la. Agradeço aquele dom tão pequenino mas com tanto significado para mim. Digo para mim mesma que as coisas têm todas um significado e ela é o maior de todos eles, … o motor dos meus dias. Aí, mesmo que as forças estejam em nível quase negativo, a pequena lança qualquer coisa de mágico, e tudo passa a fazer sentido.  O dia ganha cor e começa com o maior de todos os amores.

Por vezes fugimos para a cama dos filhos, … a sensação é fantástica, … é de amor duplicado, triplicado, … muito mais que quando eramos nós a fugir para a cama dos nossos pais. Ali, com a pequena, sinto-me menina outra vez, e ela é que me ampara. Sinto o seu calor e o ar que vem do seu respirar, … o vento perfeito que me diz: “vai em frente, continua… confio em ti, … preciso de ti e da tua força”! Obrigada filha, … obrigada pela doçura e pela calma do teu regaço… dás-me tanto, mesmo sem saber!

De bebé… a menina!

Ontem completaste dois aninhos, minha Sininho! Dois anos que passaram num lance rápido e fugidio… nem sei como! Ainda ontem eras o fruto pequenino que em mim crescia e hoje tens quase metade do meu tamanho (verdade seja dita, não é difícil!).

Lembro-me de na gravidez ouvir dizer e ler várias vezes que os primeiros mil dias do bebé eram do mais importante que há. Mil dias esses, contados desde a gestação. O seu auge seria completo aos dois anos, ou seja, foi ontem que atingiste esta meta. A meta em que deixas oficialmente de ser um bebé e passas a ser uma criança. Como o tempo corre ligeiro e sem mágoa… como a vida segue e não espera pela gente, já o diz e bem a “nossa” Mariza.

Hoje já és tu que me confortas nas tristezas e me dizes “não fiques triste, mamã!”. És tu quem me acaricia o rosto e me olha com esses olhitos pequenitos e ternurentos. É cedo, (6:50) fui dar-te um beijo e ainda dormes! Estás grande, tão grande, … crescida em todos os sentidos! Autónoma, uma menina de bem! As birras que fazes de vez em quando não são capazes de atenuar a magia do amor que por ti sinto, … continuas a ser uma criança… o meu bebé! Ocupas meia cama, … dormes serena… respiras levemente e sei que estás feliz, em paz! Que bom saber que te podemos proporcionar esta simplicidade tão rica: a de te dar amor, uma família, um teto… um lar!

Contigo, cada dia trás uma nova missão: a de te fazer feliz! É para ela que busco forças incessantemente! Obrigada, ser tão pequenino… obrigada por dares sentido à minha vida e me mostrares que os dias podem começar cinzentos mas seguir mais coloridos. Obrigada por seres o sol em dias mais nublados! Obrigada, doce meu!